Mostrar mensagens com a etiqueta Poesia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Poesia. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 27 de março de 2012

DIA MUNDIAL DO TEATRO

Comemora-se hoje o "Dia Mundial do Teatro".

Monta-se um palco de vozes,
de gestos e de alegorias
onde atuam atores e mimos
com as suas fantasias
e onde o velho Gil Vicente
faz questão de estar presente
representando os seus autos
ali mesmo à nossa frente,
que o teatro é a magia
da palavra transformada
em sonho e em poesia
com a varinha encantada
de uma tragédia antiga
em que Romeu e Julieta
entoam uma cantiga
tão suave e tão secreta
que mais parece um madrigal
onde se canta o amor
em toada teatral,
nesse palco iluminado
de uma história intemporal.
                                            José Jorge Letria.

Onde começou o Teatro? Quais as suas origens e evolução através dos tempos? Encontra aqui algumas informações: Breve História do Teatro.

Pode também gostar de ouvir os Testemunhos de atores conhecidos ou de conhecer o trabalho e iniciativas de algumas escolas, no âmbito do Teatro Escolar.
Encontra mais informações em LER+  Teatro.




quinta-feira, 22 de março de 2012

ESTENDAL DE POESIA

O atrio da EB de Leça da Palmeira está muito colorido e... poético.
Lindo!



quarta-feira, 21 de março de 2012

VIVA A POESIA!

O dia 21 de março foi designado pela UNESCO, em novembro de 1999, como a data anual da comemoração do Dia Mundial da Poesia

Com esta ação, a UNESCO reconhecia a importância do papel da poesia nas artes e culturas ao longo dos tempos, em todo o mundo.
O dia foca-se também na recuperação de tradições orais como a recitação de poemas, saraus de poesia, em diferentes espaços culturais a nível mundial.
O dia 21 de março de 2000 foi o primeiro Dia Mundial da Poesia.
 
Mas, afinal, o que é a Poesia?
Alguns poetas expressam a sua opinião:

Poesia
é uma ilha
rodeada de palavras
por todos os lados
                           Cassiano Ricardo

Ver Claro
Toda a poesia é luminosa, até
a mais obscura.
O leitor é que tem às vezes,
em lugar de sol, nevoeiro,
dentro de si.
E o nevoeiro nunca deixa ver
claro.
Se regressar
outra e outra vez
e outra vez
a essas sílabas acesas
ficará cego de tanta claridade
Abençoado seja se lá chegar.
                                                Eugénio de Andrade

Ser Poeta
Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e cetim…
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente…
É seres alma e sangue e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!
                                                         Florbela Espanca
Pode também gostar de ouvir este poema cantado por Luís Represas.


Autopsicografia
O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
                                            Fernando Pessoa

O poema me levará no tempo
Quando eu já não for eu
E passarei sozinha
Entre as mãos de quem lê.

O poema alguém o dirá
Às searas

Sua passagem se confundirá
Com o rumor do mar com o passar do vento

O poema habitará
O espaço mais concreto e mais atento

No ar claro nas tardes transparentes
Suas sílabas redondas
(Ó antigas ó longas
Eternas tardes lisas)

Mesmo que eu morra o poema encontrará
Uma praia onde quebrar as suas ondas
E entre quatro paredes densas
De funda e devorada solidão
Alguém seu próprio ser confundirá
Com o poema no tempo.
                                                              Sophia de Mello Breyner
Os poetas também nos deixam conselhos:

Peguem num poema e leiam-no
Não é preciso mais nada.
                                                       Eugénio de Andrade

Poesia
Para quê buscar-te para além dos astros
Se andas tão perto da gente?
                                                        Sebastião da Gama

Convidámo-lo a ouvir o poema "Na praia lá da Boa Nova, um dia", António Nobre, dito por Rita Reis no programa Um Poema Por Semana, na RTP2.
A Biblioteca também conta com a sua visita.

Já reparou nos poemas a "esvoaçar ao vento" à espera de leitores curiosos?

terça-feira, 20 de março de 2012

A PRIMAVERA JÁ CHEGOU!

Primeiro dia de Primavera, desenhado por Marimekko
Música & Poesia de mãos dadas para darmos as boas-vindas à PRIMAVERA.



 
PRIMAVERA
           O chão começa a levantar-se,
          A pentear-se.
          Apetece-lhe um banho.
          Olha para os braços
          para a barriga
          para as pernas:
          - Mãe, tenho o corpo cheio de borbulhas.
          - Deixa, minha filha. É isso que os homens
          chamam de flores.

Histórias com Juízo, Mário Castrim
UMA GLICÍNIA
A janela pensava que ninguém pensava nela.
- Pobre de mim, que ninguém se lembra de mim!
Ora a trepadeira, certo dia, foi muito devagarinho até que chegou lá acima e quando chegou lá acima ofereceu-lhe uma glicínia.
A janela agora já não está só. Quando a terra lhe quer dizer alguma coisa, telefona pela trepadeira.
Histórias com Juízo, Mário Castrim
 


http://dias-com-arvores.blogspot.pt/
         ANUNCIAÇÃO
          Surdo murmúrio do rio,
          a deslizar, pausado, na planura.
          Mensageiro moroso
          dum recado comprido 
          dum recado comprido,
          di-lo sem pressa ao alarmado ouvido
          dos salgueirais:
          a neve derreteu
          nos píncaros da serra;
          o gado berra
          dentro dos currais,
          a lembrar aos zagais
          o fim do cativeiro;
          anda no ar um perfumado cheiro
          a terra revolvida;
          o vento emudeceu;
          o sol desceu;
          a primavera vai chegar, florida.
Miguel Torga

          GLÓRIA
          Depois do Inverno, morte figurada,
          A primavera, uma assunção de flores.
          A vida
          Renascida
          E celebrada
          Num festival de pétalas e cores.
Miguel Torga
letterpress-swallow-flipbook

«Oh, como a Primavera era minha amiga! (...)
Que alvoroço no peito quando no céu surgiam as primeiras andorinhas!
A garotada estarrecia-se a olhá-las; e elas velozes, aos ziguezagues, pareciam dizer:
"Vem aí a Primavera
Bonecos de Luz,
Romeu Correia


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

É Carnaval!

Ilustração de Magaly Ohika

A propósito de Carnaval, aqui fica o poema de Alexandre O'Neill:

Um Carnaval
      Vem ao baile vem ao baile
      Pelo braço ou pelo nariz
      Vem ao baile vem ao baile
      E vais ver como te ris

      [...]

     Vem ao baile das palavras
     Que se beijam desenlaçam
     Palavras que ficam passam
     Como a chuva nas vidraças


     Vem ao baile oh tens de vir
     E perder-te nos espelhos
     Há outros muito mais velhos
    Que ainda sabem sorrir

     [...]

     Vem ao baile vem ao baile
     Pelo chão ou pelo ar
     Vem ao baile vem baile
     E vais ver o que é bailar.
                                      No Reino da Dinamarca
BOM CARNAVAL!

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Mensagem de Ano Novo

A Biblioteca Escolar deseja a toda a comunidade um Novo Ano com muita Paz, Alegria, Êxitos e... Boas Leituras!


Fica aqui a sugestão de Carlos Drummond de Andrade:

"Receita de Ano Novo"

               Para você ganhar belíssimo Ano Novo
           cor do arco-íris, ou cor da sua paz,
           Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
           (mal vivido talvez ou sem sentido)
           para você ganhar um ano
           não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
           mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
           novo
           até no coração das coisas menos percebidas
           (a começar pelo seu interior)
           novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
           mas com ele se come, se passeia,
           se ama, se compreende, se trabalha,
           você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
           não precisa expedir nem receber mensagens
           (planta recebe mensagens?
           passa telegramas?)
           Não precisa
           fazer lista de boas intenções
           para arquivá-las na gaveta.
           Não precisa chorar arrependido
           pelas besteiras consumidas
           nem parvamente acreditar
           que por decreto de esperança
           a partir de janeiro as coisas mudem
           e seja tudo claridade, recompensa,
           justiça entre os homens e as nações,
           liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
           direitos respeitados, começando
           pelo direito augusto de viver.
           Para ganhar um Ano Novo
           que mereça este nome,
           você, meu caro, tem de merecê-lo,
           tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
           mas tente, experimente, consciente.
           É dentro de você que o Ano Novo
           cochila e espera desde sempre.